A escuridão que habita em nós

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Os pensamentos ainda andam desorganizados, muitas coisas estão acontecendo muito rápido o tempo todo em minha vida, na vida de várias pessoas e cada vez me dou conta de que o que sou hoje tem total influência das minhas raízes, vou tentar explicar, alinhar.

Há algum tempo que tento levar uma vida mais consciente e nesta caminhada as coisas se tornam mais claras a medida que a gente vai despertando pro todo, sendo parte deste mesmo todo.

Na busca da cura com minhas raízes e a mais profunda são os nossos pais, me vi em situações muito violentas. Como assim? Ao me observar sendo impaciente, agressiva, opressora, percebi que apenas reproduzia este mesmo comportamento com pessoas mais próximas. E foi a partir daí que começou o trabalho.

Não é fácil, são rupturas de padrões que muitas vezes são negados, na maioria das vezes são negados. Mas, que estão ali, são parte da nossa escuridão, afinal por mais luz que sejamos também somos sombras. Não é mesmo?

Estes últimos dias alguns acontecimentos e textos chegaram até mim e com muita clareza e um pouco ainda sem saber por onde ir os acolhi, li e dialoguei, pouco, mas lindamente com um amigo querido.

Nando, meu amigo, publicou um texto (final deste texto) que discordei de um aspecto: falei da luz que quando acendida num lugar ela clareia tudo imediatamente, ele me retribui com: ouvi uma vez de um Swami Vaishanava que “Quanto maior a luz, maior a sombra. Acenda uma vela: ao seu redor haverá sombra. Você pode acender a luz que for, vai iluminar uma determinada área e as imediações permanecerão obscuras”. Concordei. Claro!! Passei a olhar todos os cantos quando acendo uma luz agora rsrs. E é bem verdade, por mais “iluminadas” que estejamos maior são as nossas sombras e cada vez mais que negamos essas sombras deixamos de contemplar o que de fato ela pode nos trazer de bom. Como assim?

É na escuridão que você observa seus medos, suas dores, seus anseios, sua opressão é na escuridão que você é o que é e não o que quer ser. Ao querer ser o que não se é, somos violentas com nós mesmo, já dizia Krishnamurti em suas lindas reflexões, e é claro, totalmente. Ao negar que sou violenta ou qualquer sentimento socialmente inaceitável eu nego o que sou e não procuro entender o que sou, simplesmente vou negando e vai voltando e vou negando e volta e assim vira o Sansara da vida não compreendida e a gente simplesmente existe no sofrimento e na dor… passa e volta.

Aprendo junto as minhas dores a honrar a minha escuridão, a honrar os meus sofrimentos e compreender o que há nesta dualidade tão profunda que é a luz e a escuridão. Em toda luz há escuridão e em toda escuridão há luz. Olhe para o dia com suas sombras e olha para a noite com suas luzes; é a beleza da vida. Na lei da impermanência (Anicca) tudo passa, mas por amor, compreendamos, questionemos, investiguemos nesta “equação” certamente nos libertamos da dor, é cada vez mais LIBERTAdor.

Peço perdão a todos os amores onde fui opressora. Eu me perdoo.

‘A pessoa não se torna iluminada por imaginar figuras de luz, mas por trazer a escuridão para a consciência.’ – Carl Jung

Aqui está o texto que comento que o Nando compartilhou:

https://elementochao.wordpress.com/2016/01/07/a-baboseira-de-amor-e-luz-da-nova-era/

Krishnamurti

 

6 comentários Adicione o seu

  1. é isso aí!!! precisamos conhecer nossas sombras, justamente para que elas não nos dominem, para que possamos enfim agir com consciência e livre arbítrio plenos – e não como reféns do nosso inconsciente. A gente precisa da luz, precisamos, lógico buscar acender nossas velas e nossas chamas luminosas internas, mas precisamos conhecer e honrar mais e mais as partes nossas que moram nos cantinhos não iluminados. um forte abraço e coragem na sua jornada!

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    1. lachicavegana disse:

      ❤ gratidão amora, vamos juntas🙂

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  2. Ledja disse:

    Flor, foi você que escreveu, mas senti como se saído de dentro do meu coração. “Buscar a cura”, principalmente para aquelas marcas doídas que foram deixadas, ironicamente, pelas pessoas que mais amamos e que, ironicamente, tendemos à reproduzir com outros tantos amores. “Hurt people hurt people”, indeed.
    Gratidão por compartilhar essa coisa linda!

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    1. lachicavegana disse:

      E saiu do seu coração também, afinal estamos em busca da mesma coisa e os corações costumam falar a mesma língua.

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  3. Ledja disse:

    Flor, você escreveu isso, mas senti como se tivesse saído de dentro do meu coração. “Buscar a cura”, principalmente para as marcas doídas que foram deixadas, ironicamente, pelas pessoas que mais amamos e que tendemos a reproduzir, ironicamente, com outros tantos amores. “Hurt people hurt people”, indeed.
    Gratidão por compartilhar teu sentimento (que é o mesmo meu) de forma tão clara e bonita!

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    1. lachicavegana disse:

      Eba, que bom!!! Vamos juntas na mudança

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