Quem sou eu?!

 

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Não há uma definição clara pra essa pergunta. A cada dia tento ser uma nova pessoa. Neste post vou tentar explicar a minha transição para o veganismo, ok?

Tão comum quanto perguntarem meu nome é perguntarem pq me tornei vegan.

Não estou aqui pra convencer você a nada, até pq não faria sentido algum não querer impor minhas vontades aos animais e querer impor a você.

Nasci no Recife capital pernambucana, nordeste brasileiro mas com pouca idade nos mudamos para Bolívia. Meu pai, boliviano, amava animais e mexer com a terra. Lembro que quando criança íamos a leilão de animais só pra ver e comprar algumas quantas cabeças para produzir leite e carne😦. Apesar de na fazenda da minha família os animais serem criados livres não acredito, nenhum pouco, que eles eram felizes.

Cresci em fazenda e com animais de estimação e de produção. Porém, na minha família, aprendemos que animais servem para nos servir. Sempre achei aquilo tudo muito estranho, mas como não fui estimulada a questionar, só a aceitar, fui crescendo assim.

Lembro uma outra vez também que era aniversário ou casamento de alguém da família e iriam matar uma vaca para comemorar o momento feliz da gente (oi?). Eu tinha saído pra brincar e quando voltei ela estava morta com um corte no pescoço e sangrando muito e com olhos semi-abertos. Tenho essa lembrança até hoje. Como crescemos com aquilo, lembro que me chocou, mas não tanto a ponto de questionar aquela cena. Me parece que quanto mais estamos ao redor de pessoas que pensam iguais, mas difícil é para sair da matrix.

Com 11 anos voltei a morar no Brasil. Em terras tupiquinis tive um louro de estimação; doía tanto vê-lo preso que dei graças a deus quando ele fugiu. Depois um passarinho que peguei na rua machucado e cuidamos (eu e minha irmã) com tanto amor, mas ele não resistiu e morreu. Lembro que enterramos no jardim de casa com muito choro e dor. Depois dele, não tive mais nenhum e prometi que nunca mais queria nenhum animal de estimação. Sempre existiu em mim um carinho enorme pelos animais, mas nunca a consciência da exploração e da morte que todos eles sofrem.

Domesticar animais selvagens é algo que também acho cruel. Sempre imagino como deve ser a vida de uma pássaro pego na rua e confinado numa jaula. Talvez isso seja humanizar os animais, pq sempre me coloco no lugar deles. Depois penso; mesmo sendo, não faz sentido nenhum usá-los para me servir de alguma forma.

Com 21 anos me mudei para o Rio de Janeiro. Tinha um namorado que defendia com unhas e dentes a vida marinha e a não exploração de animais marinhos, mas comia todos os outros animais. Vendo aquelas controvérsias todas, fui forçada a pensar e pesquisar e me aprofundar no assunto. Já que o que gostávamos muito de conversar sobre tais assuntos. Eu sempre discordava com algumas posições, mas nunca tinha argumentos sólidos para fazê-lo refletir.

De cara acessei várias coisas. Nunca gostei muito de carne vermelha, acho que associei diretamente a morte do meu pai (meu pai faleceu com 41 anos de infarto por má alimentação e excesso de gordura nas veias) mesmo que inconsciente. Já não comia carne vermelha há alguns meses. Frango, tinha parado também.

Um dia quase me afoguei surfando (tava muito grande e perdi a prancha, fiquei no mar levando várias ondas na cabeça até conseguir sair). Depois do susto, tive uma reflexão muito grande sobre como os peixes sofriam na morte. Tive a impressão de que sentíamos a mesma inquietação ele por falta de ar fora d’água e eu por falta de ar dentro d’água.

No dia seguinte simplesmente resolvi me tornar vegana. ” Com a mão na frente outra atrás” não sabia nada de nada. Fui pesquisar, comprei livros e entrar em contato com pessoas que já estavam assim a mais tempo.

A razão de eu ter me tornado vegan é tão simples: amava tanto os animais que não fazia sentido comer alguns por pura satisfação pessoal e do paladar. Como não tinha coragem de eu mesma matar, resolvi que não pagaria mais pra outra pessoa fazer isso e que de nenhuma forma eu queria usufruir de nada que viesse de qualquer exploração.

Não podia ser conivente com o sofrimento nas fazendas leiteiras e na simples exploração de um animal servindo o animal humano.

Pra mim, animal feliz é animal livre. Seja ele humano ou não. E ser livre não condiz em confinar algo a alguém. Não concordo com vacas felizes ou galinhas felizes. Pra mim, elas são felizes se estão livres.

Isso foi há 5 anos. A cada ano e dia que passa a minha crença de não exploração só fortalece. A medida que me aprofundo mais no assunto vou me tornando mais vegana e ativa da causa animal.

Descobri que ao comer carne, lácteos e ovos aumenta a possibilidade de desenvolver doenças como diabetes, doenças do coração e câncer. Entendi que a produção comercial de animais é responsável, em grande parte, pelas mudanças climáticas, mais do que todos os automóveis juntos. Descobri que para produzir cerca de meio quilo de carne bovina são necessários mais de 10 mil litros de água. Descobri que uma das principais causas do desmatamento florestal e o fato de “não” se existir terras pra plantação é pq elas são destinadas para a criação de pastos para agropecuária.

Quanto mais eu estudava sobre saúde e meio ambiente, mais eu parava de consumir coisas. Fui deixando de lado os industrializados. E o fato de eu me tornar vegan já não foi mais só pela questão dos animais passei a perceber que não havia causa isolada e sim uma grande libertação animal e humana. Descobri que uma vida mais saudável fazia não só bem a mim, mas a quem eu tanto amava e preservava, a quem tanto eu estava conectada e fazia de tudo para proteger: a natureza.

Houve um tempo em que eu queria que todos se tornassem veganos ou que pelo menos vissem o que eu estava vendo. Era daquelas que pregava o veganismo com unhas e dentes, mas com o tempo aprendi que não adianta querer que os outros vejam, afinal cada um tem seu tempo e suas mudanças. Hoje sempre debato sobre o assunto e sempre tem alguém que chega junto para entender mais. E é esse alguém que me faz mais feliz.

Alguns vídeos me ajudaram a esclarecer muitas coisas. Muitos livros também. Hoje tenho uma mini biblioteca de saúde, meio ambiente, alimentação e direitos dos animais.

Hoje entendo que a exploração não é só animal e não é só humana, os dois caminham juntos.

Alguns me falam sobre humanizar animais, e digo: o animal (animal na forma mais ampla) tem que ser livre e confinar algum não é ser livre. Criar animais “livres” na crença de que eles são felizes não faz sentido pra mim. Talvez ele até sejam felizes mesmo, mas eu nunca vou saber e não sabendo não existe felicidade pra mim dessa forma.

Não estou querendo aqui que você se torne vegano, vegetariano ou que passe a defender os animais com unhas e dentes, mas que pense. Se informe mais. É possível viver uma vida mais feliz e mais saudável sem produtos de origem animal.

Eu poderia me estender tanto nesse assunto e poderíamos ficar horas aqui escrevendo, mas acho que já resumi o pq de me tornar vegano.

Além das questões de exploração, sofrimento, saúde, meio ambiente, doenças eu gostaria de perguntar-lhes de coração: você seria capaz de olhar nos olhos de um porco, ou uma vaca, ou uma galinha, ou uma baleia ou qualquer animal e pensar que a vida dele é menos importante do que o desejo de satisfazer seu paladar?!

Nenhum homem é mais importante que um animal. Os dois possuem o mesmo valor pra mim.

Aproveito e coloco alguns vídeos extremamente interessantes sobre esses assuntos.

Vegan não é uma dieta. Vegan pra mim é um estilo de vida que preserva o bem estar animal não humano e animal humano. Não consumo nada que venha de animal seja ele feliz (pra mim não existe felicidade em alguém preso servindo os outros) ou não.

Aqui alguns links interessantes pra quem quer saber mais sobre o assunto

Direitos animais

http://www.apasfa.org/leis/declaracao.shtml

Docs

 

 

 

Não consigo colocar os outros vídeos, mas clique nos links que já aparecem.

https://www.youtube.com/watch?v=3MvAM97VDE8

https://www.youtube.com/watch?v=fLOeH-Oq_1Y

https://www.youtube.com/watch?v=AFlAR1rITpM

https://www.youtube.com/watch?v=EvP2Qy4ZEzA

 

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2 comentários Adicione o seu

  1. Cinthia Feitosa disse:

    Alê, lembra de mim? Estudei com vc no segundo e terceiro ano, éramos eu, vc, Kika, Roca, entre outros queridos.
    Mas estou aqui p dizer que eu passei o dia todo sem conseguir parar de ler o seu blog. A cada estória eu ficava mais interessada/curiosa/estimulada/instigada a ler mais. Na verdade todos os seus questionamentos e mudanças me encantaram. É um processo que eu nunca vi, confesso. Podia imaginar que havia pessoas vivendo assim, mas o processo em si e como ele acontece eu nunca tinha ouvido ng contar.
    Eu não tenho um estilo de vida nem 1% parecido, nem se quer sou vegetariana, sempre achei que nunca conseguiria ao menos deixar de comer carne vermelha. Ainda não sei se consigo. Mas tudo, TUDO, que li fez tanto sentido, que eu acho que passarei esta noite toda pensando. Queria muito ter esta coragem toda, mas a única coisa que tenho hoje em comum com tudo que li, são justamente os questionamentos sociais, ricos X pobres, materialismo, sentido da vida, da minha vida, mas são questionamentos que, entendi hoje, eu “abafo” aqui p não me “incomodarem” tanto. Evito ler/assistir jornais, prefiro me alienar a entender que sou culpada indiretamente por esta pobreza toda, ou ficar me perguntando pq pelo menos eu não faço nada p/ diminuí-la.
    Enfim, Alê, só queria dizer que sua estória me inquietou. Ressuscitou alguns questionamentos que eu abafava, mostrando que é possível fazer alguma coisa. Vou começar assim: com algumas pequenas coisas, que eu sempre tive vontade e não tive coragem, trabalho voluntário, alimentação mais saudável (quem sabe tentar abandonar primeiro a carne vermelha), comprar uma bike… Não sei, ainda não sei oq fazer, mas quero saber. Confesso que o que mais me inquieta é o lado social. Eu só queria me sentir melhor e menos culpada quando eu vejo alguma pessoa na rua, enquanto eu tenho tudo e ainda “guardo” oq sobra. A minha consciência ambiental não é tão forte assim como a sua. Sempre achei que era inalcansavel p/ mim até ser vegetariana. Mas porque? É nisto que eu vou dormir pensando! Preciso de mais informações p descobrir, eu acho.
    Mas do lado social não me falta informação do que ta acontecendo a nossa volta e do que eu poderia fazer p ajudar… E eu simplesmente não faço nada, me acomodo, mas sempre volto a me questionar por isto.
    Suas estórias me inspiraram, deram vontade de me enfrentar, enfrentar meu egoísmo, preguiça, pré-conceito, e tentar fazer algo que deixe melhor o meu relacionamento com a minha vida.
    Bem… Daria p eu ficar a madrugada aqui escrevendo, rsrs. Mas vou indo com a certeza que eu vou voltar sempre aqui. Parabéns, Alê, pela sua existência linda. Eu acho que é mais do que coragem, é uma consciência gigantesca do todo, é um desprendimento total. E aí não precisa tanto de coragem p/ se fazer o que se acha certo p vc! Precisa é ter descobrir isto.
    Enfim. Tudo muito lindo oq eu vi aqui, apesar de ser uma realidade bem distante p mim. Mas tudo faz sentido quando vc explica.
    Parabéns, vc é uma pessoa linda.
    Saudades agora mais do que nunca!

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    1. lachicavegana disse:

      obvio q lembro. que lindo. eh muita coisa q de um modo geral faz a gnt pensar muito sobre tantas coisas. sim,tem q ir fazendo as muncas. enecessario sair da matrix. mas… vamos em frente❤

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